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OBSTRUÇÃO NASAL E CRESCIMENTO FACIAL

O primeiro estímulo ao crescimento das cavidades nasais é o fluxo aéreo endonasal, que cria uma pressão intensa, necessária ao funcionamento da unidade respiratória. Esta pressão, aliada a potenciais genéticos do esqueleto facial, garante o desenvolvimento da fossa nasal.
A avaliação completa das vias nasais, nasofaringe e orofaringe é necessária para estabelecer a etiologia correta da obstrução, a fim de possibilitar a formulação de um esquema terapêutico racional. Podem-se citar como fatores etiológicos da respiração bucal a atresia das coanas, cornetos aumentados, rinites, sinusites, hipertrofia adenoamigdaliana e, as condições climáticas.

Quando a atresia das coanas é bilateral e parcial, acarreta sintomas durante o período neonatal e, quando completa, pode causar morte por asfixia. A atresia unilateral das coanas posteriores, em geral, acarreta sinais e sintomas inespecíficos e, frequentemente, não é diagnosticada antes que a criança cresça.

O aumento dos cornetos, especialmente do corneto inferior, é tido como um problema relativamente freqüente, porém pouco observado. Além disto, o desvio do septo nasal também é uma causa comum de obstrução nasal.

A rinite alérgica ou a crônica, como também as sinusites, geralmente ocasionam extrema vascularização da mucosa nasal que passa por ciclos de congestão e retração. Estes ciclos se alternam entre as duas narinas de forma que, quando uma está livre, a outra está ligeiramente obstruída. O paciente apresenta respiração oral persistente, contribuindo para maloclusão dentária e deformidade facial.

A hipertrofia adenoamigdaliana pode ser produzida por infecção crônica destes tecidos linfóides ou ser uma característica genética. O ar seco e a baixa umidade presentes nos meses de inverno, em determinadas regiões, causam congestionamento nasal e inflamação da mucosa. O acúmulo de escaras ressecadas nas vias nasais, podem promover obstrução nasal mecânica e com isso respiração bucal.

Para determinar a freqüência e a gravidade da respiração oral, é necessário confiar nas observações dos pais. Estes, muitas vezes, não tem consciência da respiração bucal de seus filhos, até que um pediatra, odontopediatra, ortodontista ou otorrinolaringologista faça uma observação clínica. Em geral, todos os seres humanos respiram predominantemente pelo nariz, porém, em algumas circunstâncias fisiológicas, por exemplo durante o exercício extenuante, podem respirar pela boca. Se uma criança ou adulto respirar pela boca durante o repouso, haverá motivo de preocupação.

No passado, o diagnóstico da respiração oral ou obstrução nasal baseava-se apenas em impressões clínicas e essas descrições, frequentemente, determinavam a evolução do tratamento. Atualmente, existem vários exames objetivos à nossa disposição, os quais propiciam uma avaliação adequada nas crianças com obstrução nasal e sob suspeita de desenvolvimento dentofacial anormal. O método do espelho de duas faces sob as narinas, poderá nos indicar se o paciente é respirador bucal através da condensação da umidade durante a respiração, deixando o espelho embaçado do lado onde houver a saída do ar.

A rinomanoterapia possibilita a quantificação da vias respiratórias nasais, em termos de sua eficiência condutora, através da utilização da inversão ou resistência ao fluxo de ar ou também através de métodos que envolvem sistemas de cateteres ligados ao computador. Com a utilização de radiografias cefalométricas pode-se investigar a posição espacial e o crescimento da maxila e mandíbula, e ainda desvios dentários associados; também é possível avaliar a posição do palato mole, o tecido linfóide associado e sua participação na redução da respiração.

Essas informações devem ser correlacionadas com os sintomas relatados pelos pais e, depois, associadas à rinomanoterapia para estudar a resistência da via respiratória nasal.

Indivíduos portadores de obstrução nasal apresentam várias alterações clínicas.

A face, em geral, é mais longa, principalmente seu terço inferior, com expressão global contraída e ansiosa.

Apresenta edema das pálpebras superiores, atrofia dos tecidos infra-orbitários, hipotonia do lábio superior e hipertonia do lábio inferior.

O perfil é convexo e a mandíbula possui um ângulo goníaco obtuso. Observam-se também, inflamação ou hipertrofia gengival, palato profundo e estreito, e rebaixamento da língua.

Estas características compõem a "síndrome da face longa" ou "fácies adenoideana", descrita em 1843.




Além disto, essas crianças têm maior probabilidade de apresentar mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior do que as crianças que respiram pelo nariz.

A relação entre obstrução nasal e crescimento craniofacial é imprecisa. Pesquisas indicam que o comprometimento das vias respiratórias superiores acarreta respiração oral crônica, especialmente na criança dolicocefálica.

Embora grande parte do interesse acerca da obstrução nasal e do crescimento dentofacial anormal tenha sido centralizado em torno da hipertrofia adenoamigdaliana, outras causas de obstrução nasal devem ser pesquisadas. As rinites, a atresia das coanas, o aumento dos cornetos e as condições climáticas também precisam ser consideradas. Não existem dados longitudinais apoiando conclusivamente que o crescimento dentofacial anormal seja uma indicação para intervenção cirúrgica. Entretanto, os estudos existentes recomendam a correção da obstrução nasal, com o objetivo de estabelecer uma via respiratória permeável e reduzir a possibilidade de desenvolvimento craniofacial anormal.

Cláudia Azoubel - cirurgiã-dentista
Álvaro Müiños de Andrade - Mestre em Otorrinolaringologia - UFRJ e Pós-graduado em Otorrinolaringologia - Universidades de Bordeaux e Zurique

 
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